
Leo Chaves
Cantor sertanejo estará em abril em São José dos Campos
Paula Maria Prado
São José dos Campos
Conhecido por sua história de sucesso na música sertaneja junto do irmão Victor, poucos conhecem a faceta palestrante de Leo Chaves. Mas fato é que depois de percorrer o caminho do autoconhecimento, o cantor passou a compartilhar sua descoberta sobre inteligência emocional.
O objetivo? fazer com que a sua vida -- e a luta contra suas escuridões-- sirva de inspiração para milhares de pessoas. E é isso que Leo pretende no próximo 26 de abril, quando estará em São José, e receberá o público no Instituto Você.
O sertanejo bateu papo com exclusividade com O VALE sobre essa inusitada turnê. Veja!
Qual o intuito dessa palestra? O que você divide com o público?
A minha palestra tem como intuito contribuir com a humanidade através da divisão de experiências. Eu divido com as pessoas o meu tesouro. E o que é o tesouro de cada ser humano, de cada pessoa? É o livro da sua vida. A vida é um livro sem títulos, mas com capítulos importantes, variados, cíclicos e a cada momento você adquire recursos diferentes, com experiências diferentes. A vida é um pouco paradoxal. Em um momento você é branco, em outro você é preto. Por isso você acaba adquirindo recursos diferentes, experiências diferentes, lições, aprendizados que fazem a diferença adaptados a cada momento. O que eu quero dizer é que eu me permito dividir isso com as pessoas na intenção de mostrar as minhas crises, os meus obstáculos, os meus desafios que tive que enfrentar, as minhas quedas, os meus fracassos e quais foram as soluções encontradas, quais foram as experiências adquiridas, as lições adquiridas. É isso que eu levo pro palco, o meu intuito é esse: contribuir com a humanidade, contribuir com o ser humano, tocar as pessoas com essas experiências. Tem a ver sim com o modelo de inteligência emocional a que venho me dedicando nos últimos 2, 3 anos, estudando muito, fazendo cursos, também de PNL, e um pouco de filosofia. Basicamente é isso, falo um pouco também sobre educação, educação familiar e escolar, inseridos dentro do meu contexto de vida, de história, e fazendo analogias com o modelo educacional que a gente tem hoje, social e familiar.
Obviamente que isso tudo fica amplificando quando eu e o Bento nos unimos no palco. Ele é, além de um grande palestrante com vasto conhecimento e conteúdo em PNL, inteligência emocional e coaching, um grande amigo, uma pessoa com quem me identifiquei muito. Então, estamos de mãos dadas nesse caminho que a gente tem a oportunidade de contribuir com o ser humano, de apostar de fato na sociedade, de apostar na humanidade. Acho que essa é a maior aposta que alguém pode fazer na vida, e eu estou junto com o Bento nisso, e estamos apostando bem alto.
E como foi subir ao palco (sozinho!), não para cantar, mas expor um pouco de sua intimidade?
A experiência de subir no palco pra falar é completamente diferente de cantar. 2016 foi um ano no qual eu comecei a experienciar conferências e palestras, e eu descobri que era realmente um desafio novo na minha vida. Subir no palco, cantar, fazer um show é natural, é prazeroso, é algo que a gente faz sem pensar muito, porque é natural. Agora, falar pras pessoas, dividir experiências, é engraçado porque é um trabalho minucioso, se você desconecta as pessoas com a sua fala, você tem que recuperar essa conexão. Então, o ideal é que você em momento algum permita que o público desconecte ou disperse. E isso não é fácil. Você tem que estar em um nível de concentração e de autoconexão, seu estado presente tem que estar bem elevado e bem equilibrado pra você se dar bem em uma palestra. Eu venho estudado muito, me dedicado muito pra isso, e adquirido cada vez mais novos recursos, novas ferramentas. As primeiras vezes eu fiquei um pouco tenso, um pouco nervoso, o que fez com que a minha performance ficasse um pouco prejudicada. Não tinha experiência também com tempo de fala, nada disso, mas aos poucos a gente vai adquirindo, vai praticando, como se fossem os primeiros shows da carreira. Mas eu tenho gostado muito, tenho me realizado muito com essa experiência, porque é uma forma mais direta de você tocar a alma e o coração das pessoas, é muito interessante e é um desafio pra mim.
Afinal, o que os palcos não contam?
Os palcos não contam das minhas escuridões. O palco tem muita luz e muito cenário, mas a minha escuridão só quem está muito próximo de mim conhece os meus momentos de escuridão, e é isso que eu divido com as pessoas. E a escuridão acaba virando luz se você a enfrenta, se você a encara. Você consegue iluminar a escuridão quando você assume, encara e enfrenta. A escuridão nesse contexto representa as minhas falhas, crises, medos, fracassos, minhas derrotas, obstáculos vencidos, desafios, e tudo mais que eu passei na vida.
Como foi a preparação para fazer as palestras?
As palestras apareceram na minha vida de uma forma muito natural, não foi nada planejado. Na verdade, eu nunca imaginei ser um palestrante. De verdade mesmo, eu nunca pensei nisso pra minha vida. Mas, quando eu tive uma das crises mais fortes da minha vida, sobre a qual eu falo também na palestra, há mais ou menos 2, 3 anos atrás, eu me vi numa posição de buscar ajuda. Eu realmente precisava de apoio. E a ajuda que eu encontrei foram estudos de inteligência emocional, PNL, entre outros. O Augusto Cury, juntamente com outros, foi um dos pilares nessa etapa. Foi uma das pessoas mais importantes pra mim nessa caminhada de estudos e cursos. E me ofereceu um curso de inteligência emocional, gestão da emoção, inteligência multifocal, coaching, e isso fez total diferença na minha vida, em todos os sentidos. Também me fez partir pra um caminho de tentar promover a felicidade do próximo, de investir um pouco mais do meu tempo na sociedade, nas pessoas, no ser humano, contribuir com a humanidade de forma mais direta. A forma que eu encontrei pra fazer isso foi o Instituto Hortense, que atende escolas públicas gratuitamente. Nós levamos um método de inteligência emocional pras pessoas. Vendo a diferença que isso fez no meu contexto profissional e pessoal, eu quis reverberar isso pras pessoas, amplificar isso pra sociedade. Então, como eu estou à frente do Instituto como Presidente do Conselho e Fundador do Instituto, me vi na posição de captação de recursos também, e esses recursos a gente busca no setor privado. Então, eu acabei fazendo muitas reuniões em busca de apoio e doações pro Instituto, e quando eu ia no meio corporativo, conversar com grandes empresários, eles mesmos pediam que eu fizesse essa palestra e eu dizia "mas eu não sou palestrante", e eles respondiam "mas fala do jeito que você falou, que está bom pros meus funcionários!". E isso de certa forma me acendeu essa luzinha, falei "poxa, mas palestra? Nunca pensei isso!" E aí fui pesquisar um pouco sobre e, de fato, a história da minha vida acabou virando uma palestra, misturada com ferramentas e recursos de inteligência emocional e dos cursos que eu venho fazendo. Foi uma coisa que aconteceu naturalmente, eu comecei a ser convidado pra falar, fui gostando, e quando entendi que isso poderia virar uma palestra, comecei a me dedicar a ser um palestrante.
Tem espaço para a música ao longo do evento?
Como na minha palestra eu conto as histórias de antes do sucesso, que foram 16 anos na música profissional, enfrentando barzinho, casas noturnas, botecos, outras coisas mais, então eu vou inserindo canções ao longo desse bate-papo que fizeram parte de cada momento. Conto momentos de Abre Campo, de Belo Horizonte, do colégio interno, e o que eu cantava nessa época. Dou alguns exemplos cantando canções, o que de certa forma é bom porque a gente acaba oferecendo um pouco de entretenimento misturado com o bate-papo. É interessante, as pessoas se conectam facilmente com isso. Na minha vida eu respiro música, o meu pulmão é música, a vida inteira foi, eu sou movido a música, ela é meu combustível pra tudo, em todos os ambientes que eu estou, então na palestra também não seria diferente, e eu acabei musicando a palestra inteira. Todos os meus assuntos têm música ao vivo. Levo 2 ou 3 músicos comigo e eles interpretam as histórias da minha vida musicalmente com temas já conhecidos e outros não conhecidos.
Você sentiu algum tipo de preconceito por ser um artista palestrando? Como foi o retorno do público?
Eu tenho feito palestras pra um público educacional. Tenho feito palestras para executivos num ambiente corporativo. Públicos variados, e o feedback tem sido muito positivo. Quando eu divido as minhas histórias baseadas antes e depois do sucesso, quais foram as dificuldades em cada um desses momentos e como eu as enfrentei, quais os recursos eu usei, quais as ferramentas foram necessárias, quais eu adquiri pra enfrentar isso tudo, que é a vida na verdade, o sentido da vida, as pessoas se emocionam muito, fazem reflexões e analogias com a própria vida, com o próprio contexto que vivem. Isso acaba tocando as pessoas. Eu tenho tido um feedback muito positivo. Além disso, tenho me realizado profundamente nesse caminho. Eu não sofri nenhum tipo de preconceito. Sinceramente, as pessoas se surpreendem quando eu começo a falar de assuntos como inteligência emocional, filosofia, PNL, gestão da emoção, contexto educacional, porque todo mundo imagina que eu vou subir no palco e ficar falando de música, de prêmios, CDs, DVDs, histórias de shows, e na verdade isso não acontece. O tempero é outro dessa sopa, mas é uma sopa gostosa de tomar, não deixem de provar.
Fonte: O Vale http://www.ovale.com.br/



